Por Emerson Dias
O conteúdo deste artigo não necessariamente reflete a opinião da Anicer e é de responsabilidade de seu autor.
Eram os anos 2000 e eu ainda desenvolvia minhas ações profissionais como gestor técnico da Anicer e em meio a uma reunião de equipe, nosso presidente naquela ocasião, nos interpelou a respeito de quem estava voando nas últimas semanas. De bate-pronto, todos da área técnica levantamos as mãos e logo veio a segunda pergunta: “quem folheou ou leu a revista da companhia aérea?” – e como resposta, recebeu uns nãos ou que nada fora visto de vantagem…começava ali uma orientação sobre a necessidade de identificação de oportunidades. Era o start para aquilo que, mais à frente, se tornou o estudo de Avaliação do Ciclo de Vida do material cerâmico.
Após esse aprendizado dado pelo presidente, hoje, leio até bula de remédio. Mas, passados 20 anos, recentemente, estive desempenhando minhas atividades profissionais no Uruguai e no voo de retorno, olho nas costas da poltrona e o que vejo? Sim, uma revista! Logo, me pego a folheá-la e chego a uma matéria de um especialista digital, relatando sua viagem ao continente africano.
Neste texto, ele visita o povo Massai (famosos como pastores e guerreiros, vivem nas planícies da África Oriental. Preservam seus costumes e estão entre os grupos étnicos mais conhecidos da África, preservando muitas de suas tradições culturais). No artigo, ele relata o que chamou sua atenção para essa etnia – característica pelo uso de um bastão, que serve para afastar predadores e identificar solo firme durante a longa jornada de caminhada desse povo pelos lugares mais longínquos das savanas.
Bom, não que eu queira ver agora, nossas cerâmicas ou gerentes andando por suas indústrias com um cajado na mão, mas devemos entender que necessitamos sempre de ferramentas que possibilitem tomadas de decisões mais assertivas para que possamos trilhar os caminhos menos acidentados.
Nos últimos anos, venho intensificado meus estudos e experimentos no campo da análise de dados (criação, aplicação, análise e tomada de decisão) e cada dia mais me convenço da real necessidade destes para que possamos promover uma verdadeira revolução empresarial no setor.
Digo e afirmo isso pelo simples fato de observar que grandes empresas tomaram essa decisão e reverteram quadros de insolvência e hoje são líderes. Enquanto nosso setor possui informações desencontradas (basta perceber, que não sabemos ao certo quantas cerâmicas temos em nosso país), uma parte de nossas cerâmicas vivem no modo automático e sequer sabem o quanto produzem diariamente, em números de peças ou toneladas – hora, dia, mês e ano. Observando esse quadro, só vejo um grande mar de oportunidade e possibilidades.
Hoje, uma ferramenta que muito venho estudando e começo a aplicar em minhas consultorias é o BI – Bussiness Inteligence (Inteligência de Negócios), que nada mais é do que a estratégia de fazer o processo de coletar e transformar os dados em informação clara, objetiva e valiosa, pois essa estratégia possibilita que os relatórios e análises preditivas sejam feitas como maior rapidez e profundidade, gerando assim, ideias e sugestões para operações que ajudam na tomada de decisões.
Assim, baseado nessa definição, podemos concluir na prática que o BI, uma filosofia balizada nesse conceito, é mais que um simples relatório. Ela é a mudança de cultura da empresa, que passa a acreditar nos dados e na aplicação destes, deixando de lado a expertise ou conhecimento do gerente como mecanismo único de decisão.
Para que possam perceber a importância dessa ferramenta no cenário empresarial atual e político no mundo, temos como exemplo a reeleição do Presidente Obama (EUA), através da ferramenta de análise de dados foi possível identificar os números de pacientes com câncer de mama, coube à primeira Dama estabelecer vínculo de contato com essas pacientes e, assim, demonstrar o programa e políticas de saúde a que o governo adotaria, caso viesse a ganhar a eleição. O resultado, todos sabemos qual foi.
Temos ainda a Netflix, que vem criando conteúdos específicos (Stranger Things é um exemplo disso), baseados na análise dos dados de modo a elevar a satisfação dos clientes e ainda captar novos usuários.
Venho percebendo em minhas mentorias, ao longo dos últimos anos, que nosso setor vem perdendo espaço por não identificar uma sistemática, metodologia ou política de marketing capaz de destravar o uso de nossos produtos, deste modo, uma pergunta vem à tona: por que não utilizar o BI? Mas, que dados poderia coletar, tratar e analisar?
A resposta é simples: fluxo de visitantes no site, páginas com melhores conversões, padrões de consumo, a localização deles, qual a taxa de conversão de sua cerâmica e daí por diante.
Na manutenção das máquinas, seria possível cruzar custos de manutenção com número de ordem de serviço, tempo de manutenção com colaborador envolvido (isso nos daria a capacidade e assertividade em identificar necessidades de treinamento, contribuindo assim para redução de custos) e por aí vai.
No campo da produção ou processo produtivo, podemos cruzar dados tais como: volume x consumo de energia, meta x produção real e, assim, chegaremos a identificar nossa eficiência operacional e de modo comparativo saber se estamos além ou aquém.
Hoje, é mais do que necessário gerenciar nossos dados, pois ele nos possibilitará alcançar, de modo sólido, a tão sonhada sustentabilidade e a tão falada, mas pouco comprovada, padronização de processos – mas isso será abordado nos próximos artigos.
Para mais informações, entre em contato: tecnico@ediasconsultoria.com | (71) 99294-8223.
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