Hoje é:5 de setembro de 2026

Pontos fracos dos Fornos Móveis

Por Antônio Pimenta | Imagens: Antônio Pimenta

O conteúdo deste artigo não necessariamente reflete a opinião da Anicer e é de responsabilidade de seu autor.

Os fornos móveis metálicos têm sido construídos cada vez mais nas indústrias de cerâmica vermelha no Brasil. É quase que uma unanimidade, a maioria dos empresários do setor querem construir um, mas muitos se assustam com o investimento e incertezas tecnológicas. Outros não querem mesmo, tendo convicção que fornos tipo túnel, Cedan-câmara e outros são muito melhores, além de outros fatores. Há até preferências regionais, onde se utilizam determinado tipo de forno na maioria das empresas locais.

Desenvolvido no final do século passado por um brasileiro na Colômbia, o forno móvel começou a ser construído no Brasil no início deste século e hoje o encontramos em inúmeras regiões, queimando telhas, tijolos e blocos.

Comparando com outros fornos, os fornos móveis têm um baixo consumo de combustíveis, queima rápida, excelente aproveitamento dos produtos queimados, propicia um ambiente mais agradável aos trabalhadores que não precisam entrar em fornos quentes para carregar e descarregar, nem se utilizar dos ventiladores de resfriamento. A mecanização de carregamento e descarregamento é limitada a pacotes carregados por empilhadeiras, esteiras e sistemas semelhantes a ponte rolante.

É um forno intermitente, cuja principal característica é sua construção com estrutura metálica revestida com manta cerâmica – leve, de apenas 15 cm de espessura, e que isola muito mais que grossas paredes de outros fornos intermitentes. O calor não absorvido pela manta cerâmica, vai para a carga a ser queimada.

A manta cerâmica é oferecida por algumas empresas consagradas, com fornos em operação há mais de 18 anos. Bem construídas e cuidadas, a manta é extremamente durável. O forno aceita diversos tipos de combustíveis e total mecanização do sistema de queima. Em outra matéria, ou para quem se interessar, posso passar vários exemplos de fornos móveis com excelente desempenho. E existem aqueles casos mal resolvidos, com problemas até crônicos, não diretamente ligados ao conceito do forno móvel, mas por projetos e construções equivocados, além do uso incorreto.

Para quem já utiliza um forno móvel ou pretende estudar sua aquisição, ficam aqui os alertas dos pontos fracos destes, que também servem para outros tipos de fornos:

  • Fornalhas: áreas de intensa movimentação de combustíveis e gases, temperaturas elevadas e erros na escolha destas em função dos tipos de combustíveis utilizados. É um ponto que requer muita atenção e estudo, pois um projeto contando com materiais de baixa qualidade e erros nas grelhas, por exemplo, pode comprometer demais a boa combustão e desgastar prematuramente as fornalhas, gerando contínuas manutenções;
  • Sistemas de exaustão: outro ponto muito crítico e de pouco conhecimento – canais subdimensionados, chaminés enormes que não resolvem, sistemas de monitoramento de temperatura e pressão inexistentes (no caso da exaustão). O deprimômetro ainda é um instrumento com baixa utilização e compreensão. Erros neste sistema podem resultar em queimas prolongadas e defeitos nos produtos queimados.

Em meu livro, Cerâmica Vermelha no Brasil, lançado em 2023, o Capítulo 5 – Queima -, conta com mais de setenta páginas. Neste capítulo, são apresentados, em detalhes, a queima em si, combustíveis e fornos utilizados no Brasil, com exemplos.

A AC Pimenta Consultoria oferece consultoria diagnóstica de sistema de queima e pode lhe auxiliar a melhorar o desempenho atual e planejar investimentos. Consultem-nos.

Técnico em cerâmica pelo Senai/SP, administrador de empresas e Consultor Técnico e da Qualidade.

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